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Interrogação

Sexta-feira, 09.07.04
Camões

Se nascesse entre nós uma paixão violenta?
Uma dessas paixões que surgem de improviso,
Por causa de um olhar, de um gesto de um sorriso,
De uma atitude estranha ou de uma frase lenta?

Se, um dia, por acaso, os dois, no mesmo instante,
Sentíssemos no peito um louco alvoroço,
Eu te achasse mais linda e me achasses mais moço,
Ambos a nos sorrir, num silêncio expectante?

Qual de nós falaria, primeiramente?
Quem o sabe?...Talvez me voltasses o rosto;
E eu fizesse também embora a contra gosto,
O que fizesses tu, chorando intimamente...
Porque eu te amo! Não fora esta oportunidade
E nunca te dissera. Amo-te de tal forma,
Que ao ver-te, o coração logo se transforma:
Nem parece que vive a morrer de saudades...

-É que tu me inspiraste uma paixão violenta,
Uma doida paixão que nasce de improviso,
Por causa de uma atitude estranha...
E de uma frase lenta...

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publicado por Zana às 00:24

Suavíssima

Sexta-feira, 09.07.04
Cecília Meireles

Suavíssima
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma . . .
Fica-se longe, quase morta, como ausente . . .
Sem ter certeza de ninguém . . . de coisa alguma . . .
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,
De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tão para lá! . . . No fim da tarde . . . além da bruma . . .
E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma . . .
Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

Cecília Meireles

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publicado por Zana às 00:12

Um anjo vem todas as noites

Sexta-feira, 09.07.04
Lya Luft

Um anjo vem todas as noites
Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre meu coração a asa mansa,
como se fosse meu melhor amigo.

Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)
é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo.


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publicado por Zana às 00:08





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